Raupp protesta e põe a mão no fogo por seus amigos


Raupp protesta e põe a mão no fogo por seus amigos

 

Por Sergio Pires

            Mesmo nas crises, são raras as pessoas que viram o senador Valdir Raupp elevar a voz ou usar um palavreado fora do seu tom normal. Ao protestar contra a Operação Plateias (e principalmente sobre o tom "espetaculoso" dela, como afirmou), ele estava visivelmente irritado. E falou duro. Nas entrevistas que concedeu tanto à TV Candelária/Record quanto à Rádio Parecis FM, contestou não o trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal, mas sim o que considerou "exageros" . Disse por exemplo que não havia necessidade do governador Confúcio Moura ser levado coercitivamente à PF, já que ele poderia ser chamado a qualquer momento e, obviamente, iria atender. Considerou exagerado o número de pessoas levadas à PF (193 no total) e foi taxativo: na grande maioria dos casos, não há qualquer prova contra os que a Operação Plateias considera suspeitos e que, lá na frente, todos serão isentados de culpa. "Mas o mal já está feito", lamentou Raupp, ao dizer que houve uma desnecessária exposição de autoridades, empresários e pessoas que, ao menos na maior parte dos casos, reafirmou, serão totalmente inocentadas.

             Raupp foi mais longe. Solidário com seus companheiros, disse que, mesmo sendo favorável ao combate rigoroso à corrupção, não concorda com a forma com que as coisas foram feitas. Disse ainda que põe a mão no fogo por pelo menos três autoridades: o governador Confúcio Moura; o secretário da Fazenda, Gilvan Ramos e o secretário de Saúde, Williames Pimentel. Raupp não gritou, não esperneou, não elevou a voz além do que é seu normal. Mas do alto da sua autoridade como senador da República e presidente nacional do maior partido político do país (o PMDB), protestou contra o que a Operação Plateias. E o fez com afirmações duras e contundentes. Raupp estrilou!

SEM DEFESA

             Mais um ataque duro da imprensa nacional contra rondonienses. Agora, da revista Veja, tanto contra o governador Confúcio Moura quanto o ex-senador Expedito Moura. Nesta semana, a revista traz pouca informação e muita opinião, condenando a dupla, a partir de detalhes que fariam parte da Operação Plateias. Sem ouvir os dois ou dar-lhe o direito ao contraditório, a Veja apenas informou que tanto Confúcio quanto Expedito negam as acusações. Afora isso, nem uma vírgula dando direito a ambos de serem ouvidos e fazerem suas defesas.

LIBEROU GERAL

             O esquema é simples, porque não há fiscalização alguma: de dia, inúmeras dragas e balsas são escondidas nas margens do rio Madeira. À noite, quando aí sim, libera geral, elas são deslocadas para dentro do rio, para garimpar ouro. Os garimpeiros nada temem. Prova disso é que, em pleno domingo e de dia, pelo menos 40 balsas e dragas estavam "trabalhando" normalmente entre o trecho do Cai N´Água e o porto depois da Fogás. Sem ninguém importunar.

VÃO FICAR?

            Várias denúncias já foram feitas à Marinha do Brasil; à Polícia Federal e à Sedam. Até agora, houve apenas uma ação conjunta contra o garimpo ilegal. Depois de decisão judicial, a PF e outras organizações prenderam 28 pessoas (incluindo mulheres) e destruíram equipamentos e motores de dragas e balsas. Não adiantou nada. Poucos dias depois, todos os detidos estavam soltos (e estão) e a garimpagem, inundando de novo o Madeira de mercúrio, estava de volta. Será que voltou para ficar?

CARTAS DE SAÍDA

             Começaram a chegar às mãos do governador Confúcio Moura, os pedidos de exoneração de vários secretários. É praxe. A intenção é deixar o chefe livre para a montagem da equipe no segundo mandato. O primeiro a entregar a carta foi o secretário de Educação, Emerson Castro. Ele será um dos que ficarão, junto com Williames Pimentel e George Braga. Confúcio ainda não definiu quem assumirá a Secretaria da Fazenda, já que o atual secretário, Gilvan Ramos, já tinha avisado que não ficaria no segundo mandato, muito antes da Operação Plateias.

GILVAN PROTESTA

            Por falar em Gilvan, ele se diz vítima de uma grande injustiça na Operação Plateias, quando acabou ficando preso na Polícia Federal por cinco dias. Gilvan, por quem tanto o governador Confúcio Moura quanto o senador Valdir Raupp já disseram publicamente que colocariam a mão no fogo, afirmou que jamais cometeu atos ilegais e que em muitas das ações que coordenou quando secretário de saúde, teve apoio e participação direta até do Ministério Público, a pedido dele. Ele já tinha desistido de continuar no governo, Depois da Plateias, aí sim que vai sair do cargo mesmo...

NOVO PROCURADOR

             Março vem aí, com mais uma eleição importante. Depois de dois mandatos, o procurador geral de Justiça, Héverton Aguiar, não pode mais concorrer. Então, todos os seus colegas, pelo voto direto, vão escolher seu substituto. Já há dois candidatos muito fortes ao posto: o procurador Airton Pedro Marim e o promotor Eriberto Barroso. Podem ainda surgir outros nomes, mas até agora é essa dupla que vai se colocar na condição de candidatos ao posto. A eleição deve ser depois de 10 de março.

PERGUNTINHA

              Não está na hora do governo, junto com o Congresso e com o Judiciário, darem um choque de segurança pública ao país, passando a agir para separar claramente quem é bandido e quem é vítima?

Fonte:Sérgio Pires

 


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