​Vexame no fim de ano: operações policiais desnudam esquemas de corrupção e envergonham Rondônia


Vexame no fim de ano: operações policiais desnudam esquemas de corrupção e envergonham Rondônia

Operação policial com nomes curiosos já não é mais nenhuma novidade para a população de Rondônia.

 

Fonte: Rondonoticias.com
Publicado por: Rolnews.com.br em 16/12/2014 às 12:31:11
 
 
        Operação policial com nomes curiosos já não é mais nenhuma novidade para a população de Rondônia. Mas, mesmo para quem está acostumado a acompanhar pela mídia o desbaratamento de quadrilhas especializadas em saquear os cofres públicos, está estarrecido com os últimos acontecimentos. Em menos de um mês, já são quatro grandes operações policiais que desnudaram supostos esquemas criminosos que lesaram o erário, além de crimes ambientais de grande monta. Na esteira dos fatos, a população acompanha estarrecida a frequência dos crimes, muitos deles bem parecidos e, em alguns casos, cometidos por contumazes reincidentes. Nem ao menos "a poeira baixou" em uma operação e vem logo outra em seguida, mostrando mais coisa errada.
 
Operação Plateias
 
             Tudo começou com a Operação Plateias, em 20/11, com 27 mandados de condução coercitiva para localizar envolvidos no suposto esquema de desvio de verbas públicas e direcionamento de licitações no governo de Rondônia. Segundo as investigações da operação, uma organização criminosa, formada por lobistas e agentes públicos, teria desviado mais de R$ 57 milhões, em contratos que chegam a quase R$ 300 milhões. Foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária: Francisco de Assis (cunhado do governador), Alexandre Árabe, Gilvan Ramos e Wagner Luiz de Souza; e 129 pessoas foram conduzidas para prestar depoimento, entre elas, o governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), apontado como um dos envolvidos.
 
          De acordo com a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, as investigações mostraram que o dinheiro do esquema abasteceu a campanha do governador, eleito em 2010 e reeleito neste ano. Segundo a apuração da PF, empresas interessadas em participar de licitações do governo de Rondônia eram obrigadas a fazer doações a campanhas eleitorais. Segundo as investigações, que tiveram início em 2012, empresas interessadas em participar de licitações do governo de Rondônia eram obrigadas a fazer doações a campanhas eleitorais. As licitações eram direcionadas para serem vencidas pelas companhias que faziam parte do esquema criminoso. Em alguns casos, havia até mesmo dispensa de concorrência pública. O esquema teria desviado cerca de R$ 57 milhões.
 
Operação Ludus
 
             Em seguida, veio a Operação Ludus, do Ministério Público do Estado de Rondônia, fruto do trabalho investigativo do seu Centro de Atividades Extrajudiciais (CAEX) e do seu Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). A investigação levou à descoberta de uma sólida organização criminosa instalada no poder público estadual, que se destacou na prática de crimes, notadamente falsidade ideológica, uso de documento falso, fraude a licitação, peculato, lavagem de dinheiro, entre outros, a qual contava com a efetiva participação de empresários, policiais militares e agentes políticos de reconhecido poder no âmbito estadual e federal.
 
            Os trabalhos investigativos iniciaram em agosto de 2014 e tiveram como foco, além da organização criminosa, a contratação e a execução da obra pública popularmente conhecida como “O Novo Espaço Alternativo” de Porto Velho, terceirizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem deste Estado de Rondônia (DER), ao preço final de R$ 22.802.088,73. O Tribunal de Justiça expediu 14 mandados de prisão preventiva, 33 mandados de busca e apreensão, além de diversas ordens de suspensão de função pública, proibição de acesso a órgãos públicos, indisponibilidade de bens e outras medidas cautelares. Entre os presos – todos já liberados – estão o deputado federal eleito Lúcio Mosquini (PMDB) e o prefeito de Ouro Preto do Oeste, Alex Testoni (PSD).
 
Operação Zagreu
 
             Nesta segunda-feira (15), mais uma vez o Ministério Público de Rondônia deflagrou uma operação, denominada Zagreu, que apontou para a existência de uma quadrilha nos Poderes Executivo e Legislativo para o desvio de verbas na realização de supostos eventos festivos públicos. De acordo com o MP, o esquema funcionava mediante o direcionamento de emendas parlamentares para entidades do terceiro setor, utilizadas como laranjas. O grupo responsável pelos crimes é integrado por servidores públicos e empresários, suspeitos da prática de falsidade ideológica, peculato, advocacia administrativa, entre outros delitos. Foram cumpridos três mandados de prisão, seis de busca e apreensão, além de ordens de suspensão da função pública, proibição de acesso a órgãos públicos, indisponibilidade de bens e outras medidas cautelares.
 
Operação Mesclado: crimes ambientais
 
          E mostrando que Rondônia tem sido terreno fértil para ações policiais, na semana passada, a Operação Mesclado, realizada pela Polícia Federal e pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), desbaratou uma quadrilha que extraia madeira ilegal e falsificava documentos. Dois indígenas foram presos, num esquema que teria rendido R$ 500 milhões à quadrilha. Segundo as investigações, a extração era feita da terra indígena Mequéns e, para regularizar o material, a madeira era 'esquentada', por meio de planos de manejo fraudulentos. "A Sedam [Secretaria Municipal de Meio Ambiente] autoriza o plano de manejo.
 
            O detentor do plano de manejo é que, mediante a fraude, coloca o seu crédito, ou seja, a fraude consiste em utilizar um crédito legalizado para uma madeira ilícita", explicou o delegado da PF Arcelino Damaceno, que participou das apurações. Além das prisões, 22 madeireiras foram lacradas, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, 17 de condução coercitiva, além de medidas de sequestros de bens imóveis avaliados no montante aproximado de R$ 7,5 milhões. Ainda restam 15 dias de 2014 e o burburinho na cidade é grande, sobre a possibilidade de novas operações ocorrerem. Tem muita gente graúda que não consegue dormir tranquila.

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