Senador José Serra chama ferrovia Transcontinental de “projeto maluco”


Senador José Serra chama ferrovia Transcontinental de “projeto maluco”

 

Na semana passada, o ex-prefeito, ex-governador e senador José Serra (PSDB-SP), que faz parte da oposição ao PT, concedeu uma entrevista à jornalista Joice Hasselmann, da TVEJA, da revista Veja.

Serra foi bastante duro e crítico aos governos Lula e Dilma Rousseff, principalmente na condução da política econômica. Na ocasião, ele falou sobre investimentos/crise, especialmente na falta de esperança em dias melhores provocados até mesmo por membros do primeiro escalão do atual Governo Federal. Também apontou os erros nas questões de infraestrutura do país. “Se você tem 100 milhões de dólares pra investir agora, você não investe. Você não sabe o que vai acontecer. Essa expectativa joga tudo muito para baixo. Muito do que o ministro da Fazenda faz é isso. Você precisa acenar com um futuro melhor, que convença a sociedade de uma expectativa melhor. O Brasil tem uma péssima infraestrutura de portos, aeroportos, estradas, que aumentam o custo até mesmo para exportar. O governo Lula não fez nada, o primeiro mandato de Dilma se preocupou em regular o lucro das concessionárias, foi uma trapalhada”.

Sobre os projetos que prometem dar um “novo rumo” para a economia brasileira, Serra mostrou bastante descrédito em projetos que chamou de malucos e que devem até aumentar a criminalidade do Brasil, consultando até mesmo o senador Blairo Maggi (PR-MT) que também é um dos maiores produtores individuais de soja do mundo. “Têm muitos projetos malucos, como o trem bala, do Rio pra São Paulo, com 350 quilômetros por hora, apenas para passageiros. Caríssimo: 75 bilhões de reais que não tinha nem demanda. Agora, substituiu pela Trans Peruana [também conhecida como Transcontinental], uma ferrovia para o Pacífico. Sabe o quê eu perguntei pro senador Blairo Maggi, do Mato Grosso, um grande produtor de soja? Se essa ferrovia passar por Mato Grosso e ir até o Peru, você exporta por lá ou por Santos? Ele me disse que envia toda a soja dele para Santos, que sai mais barato. Estou falando com um homem que é político, já foi governador do Mato Grosso, mas é um homem de negócios, não tá afim de perder dinheiro. Por quê não perguntaram pro Blairo Maggi? Você resolvia isso em dois minutos! Você tem que perguntar pros principais interessados. Na prática, essa ferrovia vai dar prejuízo. Na outra via, iria aumentar o contrabando, tráfico de drogas, o crime em geral, o que basicamente o Pacífico abre”, destacou ele em seus questionamentos.

Mais sobre o “projeto maluco”

Seis estados brasileiros - entre eles três na Amazônia Legal – devem ser cortados por um projeto polêmico e histórico. Esta é a Ferrovia Transcontinental, proposta que integra a lista de 35 acordos firmados entre a presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang. Os representantes dos dois países assinaram plano de cooperação até 2021, que inclui o estudo de viabilidade da construção. “A Ferrovia Transcontinental vai cruzar o nosso País no sentido Leste-Oeste, cortando o continente sul-americano, ligando o oceano Atlântico ao Pacífico. Convidamos as empresas chinesas a participarem dessa grande obra, que sairá de Campinorte, lá na Ferrovia Norte-Sul, passará por Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, atingirá Rondônia, Acre e atravessará os Andes até chegar ao porto no Peru”, declarou a presidente Dilma à imprensa após a assinatura.

A previsão é de que a obra tenha 4,4 mil quilômetros de extensão em território brasileiro. "É um novo caminho que se abrirá para a Ásia, reduzindo distâncias e custos. Um novo caminho que nos levará diretamente ao Pacífico, até os portos da China", defendeu Dilma. Segundo a presidente, a infraestrutura brasileira será beneficiada por esse projeto de grande alcance para o Brasil, para a integração sul-americana, via Peru, e para o comércio com a Ásia.

Dilma Rousseff destacou ainda a parceria com o Peru para a realização da obra: “Nossos três países – Brasil, Peru e China – e gostaria de dirigir minhas saudações ao Presidente Ollanta Humala, iniciam, juntos, estudos de viabilidade para essa conexão ferroviária bioceânica”. É para lá que Li Keqiang segue após deixar Brasília, também para assinar acordo sobre estudo de viabilidade da Ferrovia Transoceânica. Veja a vídeo entrevista na íntegra clicando aqui.

Polêmica

Como toda grande obra na Amazônia, o projeto inicia com desafios. Para sair do papel, a Ferrovia Transcontinental vai enfrentar polêmicas como o traçado sobre terras indígenas, os impactos ambientais e as dificuldades práticas de empreender uma obra deste tamanho em meio à floresta amazônica e pela Cordilheira dos Andes.

Diversos outros projetos nunca foram finalizados por esbarrarem em questões como essas. Talvez o mais conhecido exemplo, a BR-319 segue sem conclusão por falta de licenciamento ambiental. Inaugurada durante o Regime Militar, na década de 1970, a estrada tem 877 quilômetros de extensão e liga a capital do Amazonas, Manaus, a Porto Velho, em Rondônia.

O ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, afirmou no final de abril que o governo federal já gastou R$ 87,5 milhões para os estudos de licenciamento ambiental e atendimento das pré-condicionantes do "trecho do meio", compreendido entre os km 250 e o km 655,7 da rodovia. No entanto, segundo ele, inúmeras exigências apresentadas pela área do meio ambiente, desde 2007, dificultam a expedição da licença prévia para pavimentação da estrada.


Fonte:RONDONIAVIP

 


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